Enxerguei a tua ilha, poeta,
onde outrora eu nada via,
imerso,
num mar de vapor e névoa.
Avistei, qual mirando de nau
e desacreditando a vista,
teus sonhos na ilha,
Poeta
Mais do que ver, senti sob os pés
a areia clara, e de contornos marinhos
os ares repletos.
Em cada parte pulsando
do teu branco verso.
A Ilha vasta, açoitada de ventos,
de dançantes coqueiros,
águas primevas e
do silêncio
azul do tempo.
Ilha, da qual sou agora fruto,
sonho.
E que suspenso num arbusto,
anseia o vôo, num pássaro.
26 de out. de 2007
9 de set. de 2007
enceno
Como as pedras, que fazem mais silêncio
à noite,
ao claro de escuro preencho.
Como quem, a seu modo, prepara-se
para
parir
o dia,
enceno
a falta de sono.
à noite,
ao claro de escuro preencho.
Como quem, a seu modo, prepara-se
para
parir
o dia,
enceno
a falta de sono.
solução
Solidão assim é andar na lua,
é estar ao feitio do silêncio.
Se confundir, e em meio à decoração
da sala,
nem saber onde se
estava.
Onde estava
a, como chama mesmo, a
Vida? ou outra palavra, das que
tu me davas. Todas claras, todas vestidas, de branco ou
-amarelo-
Será? é. Foi? não.
Se o verbo é você, então
emudecer
parece a solução.
é estar ao feitio do silêncio.
Se confundir, e em meio à decoração
da sala,
nem saber onde se
estava.
Onde estava
a, como chama mesmo, a
Vida? ou outra palavra, das que
tu me davas. Todas claras, todas vestidas, de branco ou
-amarelo-
Será? é. Foi? não.
Se o verbo é você, então
emudecer
parece a solução.
7 de set. de 2007
Ainda bem
"Aquele que rasteja, pois, partilha da terra."
Certo dia, caminhando ia um homem.
Solitário, vagava pelos cantos do mundo sem nunca
ficar num só lugar. Sempre andando, jamais fixando o olhar.
E andava, andava, andava.
Pois que um dia aconteceu de se encontrar consigo mesmo, e no ponto em que havia partido!
Agradecido, beijou a si mesmo, e à terra que estava sob seus pés. Aqueles dois homens,
se pudessem ter sido vistos, pareceriam a quem olhasse, as pessoas mais felizes e realizadas da terra.
Galileu, mais tarde, veio dizer que a terra era redonda, ainda bem!
Certo dia, caminhando ia um homem.
Solitário, vagava pelos cantos do mundo sem nunca
ficar num só lugar. Sempre andando, jamais fixando o olhar.
E andava, andava, andava.
Pois que um dia aconteceu de se encontrar consigo mesmo, e no ponto em que havia partido!
Agradecido, beijou a si mesmo, e à terra que estava sob seus pés. Aqueles dois homens,
se pudessem ter sido vistos, pareceriam a quem olhasse, as pessoas mais felizes e realizadas da terra.
Galileu, mais tarde, veio dizer que a terra era redonda, ainda bem!
6 de set. de 2007
cuspe amarelo
O mundo continua uma cidade
Eu, mudo ando...
Dou de morrer ás árvores, choro
se um dia falta luz
- nessas Noites compridas-
-Onde vais, minha vida? vou ali comprar.
Cigarros, tv, o diabo.
No meio do redemunho
ali parado,
testemunhei.
Esqueci, ou eu já aprendi?
De mim mesmo me salvei
quando no nada
vi
algo,
se mexendo
vivo
vivo
vivo
Transbordou.
Seja lá o que for,
tambores tocam. Ossos.
A mim parece tudo tranquilo,
no eterno e absoluto conflito:
a cidade, aqui,
Não dá para fugir.
De tudo isso,
uma metáfora seria
um cuspe amarelo num cinzeiro.
Eu, mudo ando...
Dou de morrer ás árvores, choro
se um dia falta luz
- nessas Noites compridas-
-Onde vais, minha vida? vou ali comprar.
Cigarros, tv, o diabo.
No meio do redemunho
ali parado,
testemunhei.
Esqueci, ou eu já aprendi?
De mim mesmo me salvei
quando no nada
vi
algo,
se mexendo
vivo
vivo
vivo
Transbordou.
Seja lá o que for,
tambores tocam. Ossos.
A mim parece tudo tranquilo,
no eterno e absoluto conflito:
a cidade, aqui,
Não dá para fugir.
De tudo isso,
uma metáfora seria
um cuspe amarelo num cinzeiro.
26 de fev. de 2007
pequeno ensaio sobre o homempedra
o homempedra não é novo, tampouco sua linhagem
que deriva da mais remota imagem
de insetos caminhando, na pedra e na retina.
a pedra, passou a viver no tédio fluido desses ébrios,
certas criaturas onde o mundo transbordou,
povoando-lhes com os seus ecos.
foram esses homens que começaram a se fixar nas
rochas - e a nelas se reconhecer - dureza muda, começo do fim. O salto.
Pedraser, o silêncio,
Luz
....................................
As pedras ganharam voz
que deriva da mais remota imagem
de insetos caminhando, na pedra e na retina.
a pedra, passou a viver no tédio fluido desses ébrios,
certas criaturas onde o mundo transbordou,
povoando-lhes com os seus ecos.
foram esses homens que começaram a se fixar nas
rochas - e a nelas se reconhecer - dureza muda, começo do fim. O salto.
Pedraser, o silêncio,
Luz
....................................
As pedras ganharam voz
Assinar:
Postagens (Atom)